Você já foi em algum subsolo de um bar vagabundo na vida?
Tente imaginar um espaço quadrado de 4 x 4, meia luz, paredes de cor indefinida, mas com tons pastéis, esburacadas e manchadas, fumaça, muita fumaça, neste caso a fumaça provia de charutos, cigarros e baseados que estavam sendo fumados por 4 indivíduos, eu era um deles.
Mas você deve se perguntar o que 4 indivíduos que baforam fumaça estavam fazendo em um porão de um boteco? A princípio estávamos nos divertindo, mas, nos dias de hoje as diversões são por demais perigosas. Estávamos na vigésima sétima partida (jogávamos poker), e eu me lembrei de como tudo não saiu como eu planejara desde as primeiras horas do meu nunca proveitoso dia, e eu nunca imaginei gostar tanto dos meus discos.
Estava saindo para o trabalho quando encontro meu camarada Dan, um aspirante a desenhista, fomos batendo papo até o ponto do ônibus, ele tinha talento, e estava pensando em adotar um pseudônimo ou apelido, eu estava apressado e não pensei sobre isso, nem dei muita atenção, me despedi e segui meu rumo.
Sem saco no trabalho recebo um telefonema de um cara que acha que é meu amigo, o H. Leathen, ele anda meio pra baixo e ultimamente fala muito em se matar, decidi inventar algo pra tentar alegrá-lo, mais mpra me livrar dele naquele momento e mais uma teoria fálica de boa vontade.
O Dia passa, demora, chato, mais lento do que centenas de bêbados aleijados tentando fazer uma pirâmide se movimentar, mas a hora chega e vou tentar por em prática algo que tramara mais cedo, ligo pro Leathen e o convido pra tomar um trago num boteco desaconchegante que tem perto daqui, fomos lá eu meu pseudoamigo suicida, estava me sentindo uma privada oricular, ouvindo aquilo tudo, e sem o menor traquejo para ajudá-lo, o que eu poderia fazer era da o nó na corda ou comprar a arma, mas ouvi paciente, até que vejo um ser com feições bizonhas adentrar o boteco com um bolo de lp’s em baixo do braço, lp’s demasiadamente atraentes, perguntei ao asqueroso arquejante que fica atrás da mureta que ele chama de balcão, quem era aquele indivíduo, soube que se chamava Dig, um tal de Dig Pearson que tava tentando montar um selo independente na época. Cheguei pra trocar uma idéia:
Eu - E aí Dig tudo em cima? E eses plays, são pra venda?
Dig – E aí velho, não, esses plays são pra outra coisa.
Eu – Que coisa cara?
Dig – Moeda de Aposta...
Voltei pro meu canto e o Leathen continuava reclamando, do cachorro ao papagaio, eu já estava até pensando em fazer um favor pra ele e matá-lo. Não me contive e fui no tal de dig novamente.
Eu – Mas que apostas são essas?
Dig – Cartas...
Eu - E como eu faço pra entrar?
Dig – Traga os discos, 4 pessoas e só!
Ora eu tinha uma boa coleção de discos em casa, e o Leathen tava no buteco reclamando da vida, mas mesmo assim faltava ainda uma pessoa e meus discos, não pensei duas vezes, liguei pro aspirante a desenhista Dan e pedi pra ele passar na minha casa e trazer os discos.
Eu – Pronto dig, temos os discos e somos 3.
Dig – Deixa eu ver aqui, ta valendo.
O Dig olha pro asqueroso arquejante, faz um sinal, e ele nos guia por uma porta com umas escadaria estréia e escura.
E eis que estou aqui na vigésima sétima partida de poker, e o maldito suicida de Leatehn ganhou quase tudo, lp’s raros e de incomensurável valor.
Não pensei duas vezes, se ele queria morrer porque não dar uma força e recuperar os discos, ele já ia se matar mesmo. Seguro o Leathen, o Dig o acerta e o Dan o extermina de uma forma sensacional.
Depois deste dia o Dig se deu bem por um tempo com seu selo e o Dan fez umas capas bacanas de disco... ah e depois do estrago eu coloquei o apelido dele de Dan Seagrave.
Timov
Narcoléptico, viciado em discos e péssimo jogador de cartas.